Fim da carteira Fórmula Mágica (2020-2025)

Chegou ao fim um dos meus maiores experimentos como investidor. Em 2020, decidi testar na prática a famosa Fórmula Mágica de Joel Greenblatt.

Foram 60 meses de acompanhamento, aportes, rebalanceamentos e, finalmente, o encerramento do estudo em Dezembro de 2025.

Desfecho final sobre o estudo da Fórmula Mágica de Joel Greenblatt

O Desafio

A estratégia de Greenblatt foca em dois pilares: Baixo Múltiplo (EV/EBIT) e Alto Retorno sobre Capital (ROIC).

O objetivo? Comprar “empresas excelentes” a preços de “banana”.

Empresas excelente é bem forte, mas se estão com alto retorno sobre o capital investido, por um momento posso classificá-las assim, não acha?

Para chegar nestas empresas, usei o seguinte combo:

  • Montei o ranking de ações somando a melhor posição do ranking EV/EBIT + a melhor posição do ranking ROIC
  • Filtrei empresas entre 100 mil a 500 mil de liquidez mensal
  • Comprei as ações a cada 3 meses
  • Vendi as ações após completarem 1 ano de carteira

Alguns detalhes sobre os pontos acima:

Em alguns anos eu optei por trazer apenas empresas com mais de 500 mil de liquidez mensal.

Em outros, usei o filtro com 300 mil.

Na prática ao adotar maior liquidez, perdi rentabilidade. Já quando optei por menos liquidez, a carteira “voou”.

Faz sentido certo? Empresas em recuperação ou pequenas tem margem de crescimento muitas vezes maior do que empresas já consolidadas.

Evolução do Patrimônio

Infelizmente a jornada não foi linear. Tivemos momentos de euforia e testes de paciência.

Por eu não ter adotado o mesmo filtro de liquidez ano a ano, fica a questão:

– Será que a carteira rentabilizaria melhor?

  • O Início (2020): Começamos o ano com as incertezas da pandemia. Em Março/20, a carteira chegou a amargar uma queda acumulada de -29,45%. Mas a resiliência da fórmula se provou na recuperação, fechando o primeiro ano com +20,28%.
  • O Auge (2021): O ano de 2021 foi o “pico” de performance, chegando a bater +81,44% de retorno acumulado em Junho.
  • A Volatilidade: Entre 2022 e 2024, a carteira oscilou MUITO!
  • O Desfecho (2025): Encerrei o estudo com a venda total das ações em Outubro de 2025. Mesmo com retiradas e ajustes ao longo do caminho, a estratégia entregou rentabilidade.

Mesmo vendendo todas as ações em Outubro, continuei apurando os fechamentos para finalizar 2025 como visto nos últimos post sobre o estudo.

PeríodoPerformance no Ano
2020+20,28%
2021+45,74% (Acumulado)
2022-20,38% (Ano difícil)
2023+10,27%
2024-10,76%
2025+30,25%

No meu bolso vieram mais de 20% de rentabilidade em 2025. Lembre-se, eu desmontei a carteira antes de Dezembro.

No fim, acabei deixando na mesa algumas moedas. Faz parte.

Em 2022 contudo, foi o pior cenário. Empolgado com o desempenho dos anos anteriores, eu injetei mais capital na carteira.

Desta forma, pra mim, a carteira caiu bem mais que esses 20% anunciados rs

Principais Aprendizados

  1. Paciência é “a chave”: Ver a carteira cair quase 30% logo no início não é para qualquer um rs.
  2. A Fórmula funciona no Brasil? Sim, mas exige estômago. Afinal, você terá que escolher ações com baixa liquidez para ter “retorno”.
  3. Disciplina de Venda: Vender a ação se ela não está mais no topo do ranking foi interessante para tirar o viés emocional. Desta forma, o estudo foi concluído com base em dados, não em “torcida”.

Fórmula Mágica vs IBOVESPA

Tire suas conclusões:

AnoFórmula Mágica (Estudo)IbovespaDiferença (Alpha)
2020+20,28%+2,92%+17,36%
2021+45,74%-11,93%+57,67%
2022-20,38%+4,69%-25,07%
2023+10,27%+22,28%-12,01%
2024-10,76%-10,63%-0,13%
2025+30,25%+33,95%-3,70%

O que explica esse resultado? (O tal do “Alpha”)

Você deve ter reparado que, em alguns anos, a carteira “goleou” a média do mercado (Ibovespa).

No mundo das finanças, chamamos essa diferença de Alpha. Mas não é mágica, é lógica:

  • Foco no lucro real, não na fama: Enquanto o Ibovespa é puxado pelas maiores empresas do Brasil (que nem sempre são as mais eficientes), a fórmula me obrigou a olhar para empresas que são verdadeiras “máquinas de fazer dinheiro”, com alto retorno sobre o capital investido.
  • Comprar barato o que é bom: O Alpha gigante de 2021 aconteceu porque a fórmula detectou empresas excelentes que o mercado, em pânico pela pandemia, deixou “em promoção”. Quando o mercado percebeu o erro, essas ações valorizaram muito mais rápido que a média.
  • Eficiência acima de tudo: A estratégia ignora o barulho das notícias e foca em dois números frios: o lucro operacional e o preço. Isso nos protegeu de investir em empresas famosas, mas que na verdade estavam queimando caixa.

O parágrafo acima foi redigido por I.A. Vamos as correções:

Primeiro ponto: A fórmula mágica no Brasil nem sempre nos traz “máquinas de fazer dinheiro”. Muitas das vezes em que ganhei dinheiro com a fórmula foram de empresas “turnaroud”.

Logo o segundo ponto é bem questionável. Não sei dizer quantas empresas baratas que comprei são boas.

Para fechar, concordo com a questão da estratégia ser fria. Afinal, você foca em dois parâmetros e nada além disso.

Meu veredicto final é:

É possível usar a fórmula mágica de Joel Greenblatt no Brasil. Contudo, eu (pelo menos por enquanto) não arriscaria todo meu capital nela.

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